Associação critica PM por convocar todo efetivo para conter ataques no Rio
Medida representaria 'falta de planejamento' por parte da cúpula da segurança estadual, afirma entidade
O
presidente da Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros do
Estado do Rio de Janeiro (Aspra), Vanderlei Ribeiro, criticou nesta
quarta-feira, 24, a decisão da Polícia Militar do Rio de deixar em prontidão
todo o efetivo da corporação, sem previsão de término do expediente. Segundo
ele, a medida representa "falta de planejamento" das ações por parte
da cúpula da segurança estadual.
"Não adianta colocar todo mundo
na rua suspendendo folgas. O homem não é uma máquina e com essa atitude os PMs
[policiais militares] são usados para dar uma satisfação à opinião pública, mas
isso não traz resultados concretos na redução da criminalidade", afirmou
em entrevista à Agência Brasil.
O presidente da entidade, que
representa boa parte das tropas de rua da PM, defendeu mudanças profundas na
estrutura da corporação, descentralizando os batalhões e reforçando a criação
de unidades menores dentro das comunidades como forma de aproximar a polícia do
cidadão.
Ele também acredita que o combate à
criminalidade no Rio, em especial aos chefes do tráfico, exige a ampliação do
planejamento das ações, a intensificação das investigações e do mapeamento das
áreas criminosas. O presidente da entidade também criticou a qualidade dos
equipamentos de proteção utilizados pelos PMs, como os coletes à prova de
balas, mas disse que este não é o principal problema. "Se não houver
inteligência e planejamento, o Estado pode colocar uma bomba na mão de cada
policial que não vai adiantar. É preciso atuar na prevenção, e não só na
reação", acrescentou.
Outro argumento defendido por Ribeiro
é a redução da burocracia na estrutura da corporação, que deixa muitos
policiais dentro dos quartéis em funções comissionadas. Ele acredita que para
garantir maior eficácia às ações de cabos, soldados e sargentos, os oficiais
também precisam ir às ruas com maior frequência para fiscalizar e dar suporte
ao "policial da ponta".
Com 30 anos de trabalho na PM do Rio,
Vanderlei Ribeiro destacou que os salários também precisam ser revistos. Ele
comparou os rendimentos da categoria no Rio, que gira em torno de R$ 900, com
os de outros estados, como o do Distrito Federal, que chega a R$ 4 mil.
As polícias Militar e Civil continuam
realizando operações em diversas comunidades da região metropolitana. De acordo
com o último balanço divulgado pela PM, até agora, sete pessoas morreram e uma
foi presa. Os agentes apreenderam cinco armas, uma granada e duas bombas
caseiras. Além disso, um veículo foi recuperado e uma garrafa PET contendo
material inflamável foi recolhida.

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