domingo, 28 de agosto de 2011

Bonde que tombou tinha arame no lugar de parafuso

Portal- R7
O bonde de Santa Teresa que perdeu o controle e tombou sábado (27), provocando a morte de cinco pessoas e ferindo outras 57, tinha um arame no lugar de um parafuso em um dos eixos que prende as rodas traseiras. Na mesma estrutura, que tem cerca de cem anos, uma sapata de freio (espécie de pastilha) completamente gasta chamou a atenção dos técnicos do Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro) durante vistoria na manhã deste domingo (28).
Para o coordenador da Comissão de Análise e Prevenção de acidentes do Crea-RJ, engenheiro Luiz Antônio Cosenza, uma falha no sistema de freios pode ter provocado o acidente.
- Quando o freio é acionado e trava, as rodas se arrastam e deixam marcas claras nos trilhos e nas rodas. Pelo que percebemos aqui, não há marcas de frenagem. Uma das possibilidades é que o sistema de ar comprimido dos freios tenha falhado. Percebemos que o motorneiro acionou o freio, mas se houve um vazamento de ar no compressor, por exemplo, ele fica sem força para parar o veículo.
Cosenza disse que a superlotação pode ter contribuído, mas não foi a causa do acidente.
- Só a superlotação não teria provocado o acidente. Se o freio estivesse funcionando perfeitamente, essa tragédia não teria acontecido. Agora vamos convocar os responsáveis técnicos para prestar esclarecimentos no conselho, levantar questões de manutenção e saber o que exatamente ocorreu.

Enterros
Os corpos de João Batista Soares e Ivone da Silva foram enterrados às 12h deste domingo no cemitério de Inhaúma, zona norte da cidade. Uma terceira vítima, Nelson Correa da Silva (maquinista), será enterrada às 16h no mesmo local.
Já os corpos de Claudia Lilian Almeida Fernandes e de Maria Eduarda Nunes continuavam no IML (Instituto Médico Legal) às 11h30. Claudia morava no Rio Grande do Sul e o cadáver será levado para o Estado.
Nova perícia em Santa Teresa
Peritos do ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli) retomaram na manhã deste domingo a perícia no local onde um bonde tombou. O engenheiro do Crea Luiz Antônio Cosenza, acompanhou os trabalhos com sua equipe.
A rua Joaquim Murtinho está interditada em meia pista, na altura da rua Francisco Muratori. Guardas municipais passaram a madrugada no local da tragédia para orientar a população e os motoristas que trafegavam na via. Este trabalho de orientação continuará a ser feito durante o dia de hoje.
Segundo uma avaliação preliminar, o bonde andou cerca de 20 m depois de descarrilar até atingir dois postes. O acidente aconteceu em um trecho de declive acentuado e com curvas. O impacto da batida deixou o veículo totalmente destruído. A primeira perícia foi interrompida por volta de 20h50 de sábado porque não havia iluminação suficiente para o trabalho dos peritos.
Circulação suspensa
A circulação dos bondes está suspensa até que as causas do acidente sejam apuradas, segundo o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, que esteve no local e foi hostilizado por moradores.

- Foi uma fatalidade, uma tragédia, mas as causas desse acidente serão apuradas com toda a transparência. Vamos pedir ajuda ao Crea para saber o que aconteceu.
O bonde estaria superlotado, com pelo menos 14 passageiros além do permitido, segundo informações do Corpo de Bombeiros e da Secretaria Estadual de Transportes.
A capacidade é de 32 passageiros sentados e 12 em pé, informou Júlio Lopes. O número, no entanto, não inclui os que viajam nos estribos, prática muito comum entre os usuários do sistema.
- Temos informações preliminares de que o bonde estaria muito cheio.
Além disso, o bonde nº 10 não havia sido modernizado e pertencia a uma geração antiga de veículos, segundo Júlio Lopes. O secretário informou que o processo de recuperação dos bondes foi interrompido por determinação judicial porque os modelos novos apresentaram problemas.
Na avaliação do comandante do Corpo de Bombeiros, o coronel Sérgio Simões, que acompanhou os trabalhos de resgate, a superlotação certamente influenciou na gravidade do acidente.
- Não há dúvidas de que a superlotação influenciou no que aconteceu.


 

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